Daí, o inventário. E por que não o extrajudicial?

O inventário extrajudicial, partejado pela Lei nº 11.441/07, atualmente disposto no artigo 610 do Novo CPC, que trata do inventário e da partilha por escritura pública, bem como o artigo 659 do mesmo diploma legal que dispõe sobre a partilha judicial. 
Nesta lei foram mantidas as regras e requisitos processuais válidos à via judicial. A lei é processual. Nada mudou do Direito em seu aspecto material. 
A mudança ocorreu no momento precípuo da formalização da vontade, que, doravante, se dá perante outro profissional do Direito, que não o Juiz, mas o Tabelião de Notas. 
Uma passagem de bastão coerente, pois ambos são operadores do Direito. E, por certo, atende-se para o fato de que o Tabelião já era muito íntimo das questões de Direito de Família, Obrigações o e Sucessões, haja vista sua missão de lavrar os pactos antenupciais, testamentos e escrituras de união estável. 
Os pressupostos do Inventário e Partilha Extrajudicial consistem na presença de herdeiros, maiores e capazes, ou devidamente emancipados, em situações em que não haja litígio, devendo ser necessariamente consensual. O falecido não pode ter deixado testamento. Vale destacar que, no que diz respeito ao companheiro ou companheira, o inventário também poderá ser realizado por escritura pública, desde que os herdeiros reconheçam a união estável, não podendo ser o único herdeiro. Em sendo, obrigatória será a via judicial. 
O advogado continua sendo indispensável para o ato, que, muito diferentemente do papel do tabelião – posto que esse fiscaliza a sobreposição da vontade das partes à lei – é imparcial. O advogado, no entanto, patrocinará os interesses do cliente. 
Os requisitos materiais para a lavratura do ato serão os mesmos que na via judicial: todos os herdeiros, o meeiro, o inventariante extrajudicial precisa fazer-se presente, no mesmo momento, para a lavratura da certidão que será realizada pelo notarial. 
Por certo, a referida Lei objetivou, antes de tudo, desburocratizar e desafogar o Judiciário, de forma a trazer maior comodidade e agilidade aos interessados. Afinal, há uma tendência mundial de transferência para os serviços extrajudiciais das questões não litigiosas.